terça-feira, 27 de outubro de 2026

Por que Flávio Bolsonaro perdeu?

O plano desde o início era uma vitória em 1º Turno, pois 2º Turno é uma eleição nova em que o candidato ou se mostra ou perde para si próprio. Mas, nesta eleição, Flávio Bolsonaro perdeu para si próprio por vários motivos.


1. Flávio Bolsonaro: Primeiramente, ele perdeu para ele próprio pelo passado dele. Nunca tendo trabalhado de carteira assinada ou como autônomo, não sabe a realidade do povo. Viveu eternamente em um meio social corrompido de milícias do Rio de Janeiro. Tinha o pai como exemplo, sendo que o pai não era exemplo de nada. Foi funcionário fantasma do gabinete do pai, depois eleito deputado estadual em que não tinha um trabalho parlamentar ativo, votava constantemente contra direitos de funcionários públicos e rendia homenagens a milicianos.


2. Aliados: Flávio perdeu para os próprios aliados - estes sabiam que, Flávio eleito, a dinastia miliciana iria durar décadas no poder. Uma grande maioria do entorno próximo tinha pleno interesse em disputar a Presidência da República num futuro próximo. Porém, ações de alguns deles foram mais prejudiciais, como Cleitinho, Nikolas, Daniela Marques e outros.


3. Cleitinho: o senador mineiro não tinha interesse nenhum em ficar com uma batata quente como Minas Gerais tornou-se: um estado que não tem uma economia pujante e com uma dívida gigantesca. Porém, eleito, agora ele tem que resolver. Ele nunca teve lado nem estilo próprio. É mais fácil definir Cleitinho como um Jânio Quadros moderno, digital, do lado do povo. Mesmo tendo apoiado de forma explícita Flávio, Cleitinho não fez muito para ajudá-lo em Minas: foi a uma caminhada organizada por outros. Além disso, votou pelo fim da escala 6x1, tema em que Flávio tinha posição contrária. Além disso, Flávio assumindo, ele não teria condições nenhuma de quitar a dívida de Minas Gerais. Seria o descumprimento de sua principal promessa de campanha.


4. Nikolas: o deputado federal até tentou ajudar Flávio, mas só atrapalhou mais do que ajudou. Já na reta final do 2º Turno, gravou um vídeo com atores e roteiro no sertão do Nordeste. O eleitor nordestino é calejado de anos de julgo do tempo dos coronéis e identificou o teatro montado. Tal fato somou-se ao vazamento dos bastidores. Além disso, numa tentativa de limpar a sujeira anterior, veio novamente ao Nordeste para o Bloco do 22. Em Recife, quando chegou, mostrou desconhecer o maior bloco carnavalesco do mundo. Em terra de bairrista que é Pernambuco, perdeu muitos votos locais.


5. Michelle: a madrasta não fez nada para ajudá-lo - as imagens dela na propaganda eleitoral não surtiram o efeito esperado no eleitorado feminino.


6. André Mendonça e Kassio Nunes: os aliados no STF e no TSE mais atrapalharam do que ajudaram, tanto no período pré-eleitoral quanto na eleição em si. Tentaram criar um cenário de caos e confusão com vazamentos seletivos, porém seus colegas no STF perceberam o golpe, tentando associar Alexandre de Moraes a Lula, e reagiram à tempo, suspendendo o julgamento e deixando para depois da eleição. No TSE, ainda tentaram tomar decisões monocráticas favoráveis a Flávio e contra Lula de forma escancarada, decisões essas que em, sua grande maioria, foram revertidas no plenário da corte eleitoral.


7. 1ºTurno: o plano era para ganhar a eleição em 1º Turno. Muitos vão dizer o contrário, mas hoje é possível afirmar: se não fosse a decisão de Lula de proibir as bets, isso teria se concretizado. Além disso, a fuga dos debates o fez perder votos de pessoas que queriam conhecê-lo, indo para outros candidatos.


8. 2º Turno: a arrogância tomou conta após o resultado do 1º Turno: começou-se a falar em mudar a Constituição com base na eleição do Congresso e começaram as discussões sobre divisão do Ministério entre os partidos que passaram a apoiá-lo. Após a fala da mudança da Constituição, jornais tradicionalmente de direita e conservadores passaram a defender pautas tradicionalmente de esquerda, surpreendendo a todos. Mas isso só ocorreu por que viram claramente o problema em que se meteram e que viria caso o senador fosse eleito. Forçado a ir aos debates, o eleitor pode conhecer quem era de fato Flávio. No debate da Band, orientado por Pablo Marçal, teve atitudes e tom agressivos. Para o eleitor, passou a imagem de que Lula, uma pessoa idosa, foi uma vítima de alguém agressivo. No debate da Globo, mesmo com Marçal afastado, continuou com tom agressivo. Usou de jargões de seus eleitores, mas terminou afastando os eleitores indecisos moderados. Mais uma vez, Lula foi vítima: chamado de "9 dedos", Lula chamou a atenção de que não iria aceitar ser discriminado em razão da deficiência que adquiriu por causa de um acidente de trabalho enquanto adolescente. Isso tocou todos os brasileiros não-fanatizados: ali Lula venceu a eleição.


9. Daniela Marques: a escolhida por Flávio para ser a responsável pela pasta da economia passou a dar declarações contra direitos sociais. O cúmulo foi a fala dela de que a próxima eleição iria ser só depois de 8 anos para que as ações surtissem efeito.


10. Janones: o que o deputado fez, ninguém da esquerda tradicional fez. Usou e abusou das táticas da extrema-direita como ninguém, explodindo as publicações e diminuindo o alcance das publicações da extrema-direita.


Cada tópico desse pode ser aprofundado, mas esses são os principais motivos.