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segunda-feira, 27 de junho de 2011

No que a Evolução é lenta, a Revolução acelera

Em 1900, quase todos os países da América já eram independentes de suas metrópoles europeias, metrópoles essas formadas até o ano de 1500. Em razão disso, essas metrópoles - Portugal, Espanha, Inglaterra e França - direcionaram seu controle sobre novas colônias, na África e na Ásia, num movimento chamado Neocolonialismo.

Itália e Alemanha só se formaram entre 1850 e 1899 e, por isso, ficaram de fora desse movimento colonialista. Porém, a Alemanha estava se desenvolvendo bastante e precisava de combustível, que se encontrava no Império Otomano (atual Turquia). Porém, para chegar até a Alemanha, precisava ser construído um trem, que as metrópoles não permitiam. Estava criado um clima de disputa. Bastava um estopim para uma guerra.

O Arquiduque do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, herdeiro do trono, resolveu visitar um dos territórios, hoje conhecido como Sérvia. Porém, foi alvo do grupo "terrorista" Mãos Negras, que matou a ele a a sua esposa. Foi o pretexto que os países encontraram para iniciar a 1ª Guerra Mundial, o que de fato ocorreu. A 2ª Guerra Mundial nada mais é do que uma continuação da 1ª, portanto acho mais apropriado falar em uma única Guerra Mundial.

A questão aqui não é a Guerra Mundial, falarei sobre ela depois. Quero fazer um comparativo com atuais ataques hackers. Tudo se iniciou com o objetivo de Julian Assange de divulgar em seu site colaborativo, WikiLeaks, documentos classificados como confidenciais pelos governos para que suas populações ficassem sabendo da chamada verdade.

O problema é que Assange incomodou os EUA, ainda com um poder econômico, bélico e tecnológico grande. Antes mesmo que Assange fosse preso, quando foi cortado o meio de doações pela internet para o WikiLeaks, hackers defensores da liberdade de informação na internet atacaram os sites do MasterCard, Visa e PayPal, que cortaram as doações.

Além disso, prometeram atacar o sistema judiciário britânico caso Julian Assange fosse extraditado à Suécia - para a felicidade do Judiciário Britânico, isso não ocorreu. Pouco depois, os sites do Senado ianque, empresas de videogame (PSN e Sony) e da CIA foram, respectivamente, invadidos, tiveram dados roubados e derrubados.

Aqui no Brasil, as ações iniciaram dia 22 de junho, derrubando sites do Governo Federal. Os primeiros ataques, dos dias 22 (quarta) e 23 (quinta), foram feitos pelo LulzSecBrazil junto com o Anonymous.

O site do IBGE foi atacado pelo grupo Fire Hacker. Nos dias 24 (sexta) e 25 (sábado), foram atacados sites de Ministérios, do Exército, de governos estaduais, de PMs e de Prefeituras pelo grupo Havittaja. Ainda no sábado 25, o grupo LulzSec divulgou ataques a sites do Governo Federal.

Os hackers pedem mais liberdade de informação, mais liberdade na internet e são contra a corrupção, tudo o que querem a população. Somente utilizam um método ortodoxo.

Liberdade de Informação - Todo mundo deve ter acesso a todas as informações do país a que pertence. Informações verdadeiras, destaque-se. Nenhuma informação deve ser sigilosa - ou, pelo menos, nenhuma informação deveria ser sigilosa. Como uma pessoa vai exercer sua cidadania de forma plena, absoluta, se não tiver todas as informações necessárias para, por exemplo, escolher um candidato a um cargo eletivo? Por isso, é essencial que as informações estejam disponíveis, inclusive as informações das empresas privadas que são concessões de um serviço público.

Liberdade na Internet - Um meio de comunicação livre por essência, que é a Internet, corre o risco de controlado aqui no Brasil, haja vista o interesse obscuro de alguns políticos, principalmente o autor da lei, o ex-senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Esse projeto deve ser rejeitado e mais nenhum desse tipo deve ser apresentado.

Fim da Corrupção - Todos nós sabemos quem são os corruptos: José Sarney e família, Fernando Collor, Aécio Neves, Beto Richa, Geraldo Alckmin, José Serra, Paulo Maluf, Yeda Crusius, Rosalba Ciarlini (governador do Rio Grande do Norte), Micarla Souza (prefeita de Natal), entre outros. Falta à Polícia investigar direito, falta ao Ministério Público investigar e denunciar, falta à Justiça fazer os processos andarem e condenarem-nos, falta aos políticos vergonha na cara.

Falei do estopim da Guerra Mundial pelo seguinte motivo: uma morte levou a milhões de mortos nas duas guerras. Mas foi uma morte motivada pelo desejo de liberdade. Hoje não é mais preciso matar, mas é preciso que mais uma vez os Reis e Rainhas saiam dos Palácios, se exponham, para ouvir e atender à população.

A História tem mostrado que, quando o Estado não desce pra ouvir a População, a População sobe para falar com o Estado. E quando vai falar com o Estado, já é sem querer dialogar, já querendo que se cumpram exigências.

É fundamental que o Estado entenda que depende da População.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Vazio entre o Século XX e o Século XXI

Eric Hobsbawm, historiador e filósofo, diz que o Século XX começou em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, e terminou em 1990, com a queda do socialismo real. O Século XXI só começaria em 2001, com a queda do World Trade Center, nos EUA. O que seria, então, esse tempo entre 1990 e 2001? Uma "não-história"?!

Nesse tempo, o ser humano não fez, realmente, nada. Houve alguns acontecimentos, mas nada de brilhante ou notável.

Na segunda metade do século XIX (1851 - 1900), Nietzsche elaborou a idéia do niilismo, que é, em suma, uma força que leva o homem a nada ('nihil', do latim, significa 'nada'). Na época que formulou essa tese, disse que o niilismo atingiria o ápice em 200 anos, ou seja, entre 2050 e 2100. De certa forma, ele se aproximou.

Na minha opinião, o niilismo teve seu ápice no período 1991 - 2000. Todo pensamento, toda atitude, estatal ou privada, de 2000 pra cá, é reflexo desse período, tendo cada povo reagido de maneira diferente. Os ianques elegeram George W. Bush (2000), os brasileiros elegeram Luís Inácio Lula da Silva (2002), e por aí vai.

Por quê Nietzsche "errou" em 60 anos? Ainda na minha opinião, por causa das duas guerras mundiais: apesar de ele ter provavelmente previsto a 1ª Guerra, não previu a 2ª Guerra Mundial, nem a Guerra Fria.

Enfim, por quê estou falando tudo isso? Barack Hussein Obama, Presidente dos Estados Unidos da América, é conseqüência do grande período de niilismo que tiveram, do segundo mandato de Bill Clinton a segunda metade de George W. Bush. O niilismo brasileiro foi tão longo quanto, do mandato de Itamar Franco até o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.

Aí, me vem à mente: depois de 8 anos de niilismo no Brasil, vamos chegar a ter 8 anos de utilização de 100% da capacidade do Estado para as mudanças sociais. Mas, e aí? O que vem depois? Mais niilismo, com José Serra, ou queremos 200% da capacidade do Estado para as mudanças sociais, com Dilma Roussef?!

Para mim, o niilismo é mais do que uma influência no pensar (e definitivamente, na época do niilismo brasileiro, o povo brasileiro não pensou), nas atitudes (no niilismo brasileiro, parecíamos paralisados, como uma catarse), também são as atitudes do governo em relação aos seus súditos. Definitivamente, não é coincidência que o período de 1991 a 2000 tenha sido o ápice do neoliberalismo no Brasil, com zero atitudes por parte do Governo Federal, e o livre mercado transformado numa religião.

Aplicar a idéia do niilismo na política brasileira é uma das maneiras de entendê-la.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Grande Irmão está de olho...

Nessa postagem, eu estreio mais um tema aqui nesse blogue: Filosofia.

Quando vazou a informação de que a Globo faria um programa estilo 'reality show', ou seja, espetáculo da realidade, com câmeras vigiando um certo grupo de pessoas morando por um determinado período de tempo em uma casa e disputando um prêmio de milhares de reais, programa esse sucesso por todo o mundo, o SBT lançou um semelhante, o "Casa dos Artistas", que abrigava artistas que estavam geladeira.
No final do mesmo ano foi lançado, pela Globo, o Big Brother Brasil - BBB. No ano seguinte, o Big Brother Brasil 2, e por aí foi nos anos seguintes.

"1984", best-seller de George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, conta a história de um país totalitarista que tem o Ministério da Verdade (Miniver, em Novilíngua), ministério esse que modificava as notícias dos jornais antigos a seu favor, de acordo com o ditador da época. Na época em que foi escrito, em 1948, o autor tinha acabado de ver como Hitler, Churchill e Stálin modificavam as notícias, cada um a seu favor nos jornais de seus países.
Todos deste país paravam de trabalhar por dois minutos para admirar o Grande Irmão. Por toda a cidade, cartazes de "Big Brother is watching you", ou seja, "O Grande Irmão está te assistindo".

Nesse país, havia a Teletela, um aparelho de tevê dúplice: quem estava de um lado podia ver quem estava do outro, e vice-versa. E essa é a idéia mais ou menos do Big Brother - o programa. Mas somente para um lado. Nós, que estamos do lado de fora assistimos quem está do lado de dentro, mas quem está do lado de dentro não vê quem está do lado de fora (somente em ocasiões especiais, como o dia de eliminação, etc).

Outro Big Brother está sendo bastante polêmico no Brasil, e em Recife, em particular. Alguns blogueiros do blogue Acerto de Contas tem criticado a instalação de câmeras para vigiar a ocorrência de crimes em pontos estratégicos da cidade. Alega que não resolve o problema. Para quem quer ver uma postagem, é só acessar o endereço seguinte: http://acertodecontas.blog.br/atualidades/projeto-cameras-pela-vida-mostra-seus-primeiros-sinais-de-fracasso/ .

Aqui começo a falar minha opinião. Eu sou a favor da instalação de câmeras em pontos estratégicos das vias públicas para vigiar e identificar ocorrências criminosas. Ainda falta muito para qualificar isso como uma vitória do Grande Irmão, apesar de ser uma idéia completamente tirada do livro.
Quer ver outra? Empresas aéreas internacionais da Europa e dos EUA trocam informações sobre os passageiros, para evitar qualquer "surpresa".

Todas essas ações evitam um provável futuro crime? Não, assim como a Lei não impede a concretização de crimes. Está na Lei: "Matar alguém - Pena - reclusão, de seis a vinte anos."
Isso impede as pessoas de matarem? Não. O que impede as pessoas de matarem são a não-realização de seus motivos.
Alguém que mata por ciúmes, se não tiver ciúmes não matará. Aquele que mata para conseguir dinheiro, se tiver dinheiro não matará. Aquele que mata em razão de uma atividade ilícita (tráfico de drogas, p.e.), se não estiver exercendo atividade ilícita não matará.

A Lei não impede que as pessoas matem, furtem, roubem, etc. Mas, restringem suas ações. Muitas pessoas que "têm de tudo para ir pelo caminho errado" acabam não optando por esse caminho, porque sabem que, dentro do crime, ou com uma ficha policial, vai ser mais díficil viver.
A mesma lógica para as câmeras. A câmera não impede que as pessoas matem, furtem, roubem, etc. Mas, restringem suas ações. Com a câmera será possível identificar a fisionomia de criminosos. Quem negar isto estará mentindo.

Por fim, esse é um eterno Dilema do ser humano: optar pela Liberdade ou pela Segurança.
Quanto mais livres os seres humanos, mais inseguros (vide atual crise econômico-financeira). Para aumentar a segurança, se tolhe a liberdade, regulando as relações sociais.

É uma questão de opção. É possível o equilíbrio? Talvez. Por enquanto, vivemos períodos de mais liberdade e, em sequência, períodos de mais segurança.