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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Carta Aberta aos Líderes do PT e do PSDB

Caros Líderes, vou ser simples e direto: por que de uma vez por todas o PT e o PSDB não se juntam nas grandes discussões nacionais que o Brasil precisa e são urgentes?

Separados, tem-se visto o avanço da agenda conservadora que prejudica o país. O verdadeiro debate acabou, hoje só há ofensas dos dois lados que prejudicam o país.

É hora de colocar as diferenças de lado e procurar agendas em comum. Se é pelo Brasil, por que tem que ser em lados opostos? Se é pelo Brasil, por que não há diálogo?

As atitudes dos dois partidos estão acabando com o diálogo no Brasil. Diálogo tão valorizado por Ulysses Guimarães e outros grandes nomes da política nacional.

Sem diálogo entre seus maiores líderes, não há nação que sobreviva.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Mais 3 partidos

Depois de ter exposto todos aqueles partidos em postagens anteriores, venho falar sobre 3 novos partidos que podem ser criados. Todo o processo de criação e registro de um partido é descrito em lei.

O primeiro passo do processo é juntar 101 fundadores em nove Estados (um terço das unidades federativas), fazer uma ata de fundação e entrar com o registro de pessoa jurídica em cartório competente de Brasília. Depois é criar um programa, um estatuto e escolher seus dirigentes provisórios. Agora, para comprovar o "apoiamento mínimo", eles têm de juntar um mínimo de 468.890 assinaturas, número que representa 0,5% dos votos válidos na eleição de 2006 - distribuídos também em um terço dos Estados. Entregadas essas listagens aos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), os escrivães eleitorais conferem todas as assinaturas e seus respectivos números de título eleitoral e passa-se ao pedido de registro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Aprovado, o partido ganha inscrição e acesso ao valioso horário de TV e rádio e às urnas.

O primeiro é o Partido Federalista - PF -, que defende a implantação no Brasil do sistema federativo ianque. Ou seja, os municípios deixariam de fazer parte do Pacto Federativo, ficando totalmente dependentes dos estados. Outra mudança seria a transferência da competência das polícias e bombeiros dos estados para os municípios.
Outra mudança: cada estado faria as próprias leis de direito civil e direito penal (entre outros). Ou seja, o que poderia ser crime em São Paulo, não seria em Pernambuco, e por aí vai. Além do mais, casamento homoafetivo seria permitido em uns estados e não previstos (ou até proibidos) em outros.
Por quê ainda não está regular? Eles chegaram a recolher todas as assinaturas... pela internet. E aí o Tribunal Superior Eleitoral negou, dizendo que as assinaturas devem ser manuscritas. Recorreram ao Supremo Tribunal Federal. Dizem até que, se for necessário, recorrerão às cortes internacionais.

O segundo é o Movimento Negação da Negação - MNN -, formado por revoltosos contra a corrupção no governo e no Congresso e contra a crise econômica. Tal termo - "negação da negação" - foi cunhado por Karl Marx, no seu livro "O Capital".
Este está na fase de coletas de assinaturas.

O terceiro é o Partido Nacionalista Democrático Estudantil - PNDE -, cujos fundadores querem reativar uma sigla criada em 1983 no Rio de Janeiro.
Nacionalista até dizer basta, esse partido é meio indeciso quanto à posição ideológica. O foco deles é educação - para outros assuntos, vão contratar especialistas. Ou seja, são uma cópia mal-feita do já registrado PDT.

Comentário do blogueiro: o Partido Federalista já está nascendo errado, querendo implantar "in totum" um sistema estrangeiro aqui no Brasil. Quanto aos outros dois partidos, MNN e PNDE, não dá pra levá-los ao sério pelo que disseram na reportagem. Tomara que se se registrarem tomem posição na política.

P.S.: Quero chamar a atenção para um partido que pode aparecer nas eleições municipais de 2012, o Partido Pátria Livre - PPL. Inspirado no verso do Hino da Independência ("Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil"), o PPL surgiu como uma dissidência, formada pelo MR-8, do PMDB, no qual estavam abrigados até o ano passado. No começo desse semestre, eles já estavam em fase final de coleta de assinaturas.

domingo, 8 de março de 2009

Do Extrema-Esquerda a Extrema-Direita 2

Retomemos nossa tentativa de montar um quadro dos partidos. Só relembrando a metodologia:

Para qualificar o partido, eu utilizei dos seguintes critérios:
1. Estatuto, programa e história partidários - Dá uma primeira impressão da ideologia do partido, a impressão da Teoria Partidária
2. Apoio ao Governo Federal quando da chegada ou saída de determinado grupo da Presidência da República - Dá uma segunda impressão da ideologia do partido, a impressão da Prática Partidária
3. Porcentagem de dissidências - Dá uma idéia da Homogeinidade, Coerência e Coesão partidárias

Para classificar os partidos em esquerda ou direita, vamos utilizar a seguinte régua: (p.s.: dá pra ver que a régua está "quebrada" por causa do tamanho, mas imaginem-na reta, contínua)


-5 . -4,5 . -4 . -3,5 . -3 . -2,5 . -2 . -1,5 . -1 . -0,5 . 0 . 0,5 . 1 . 1,5 . 2 . 2,5 . 3 . 3,5 . 4 . 4,5 . 5


Quanto mais perto de -5, mais esquerdista, e, quanto mais perto de 5, mais direitista. Isso não significa que a esquerda é algo negativo, e a direita é algo positivo. Isso é só o método que utilizaremos. Vamos lá? Hoje serão os 14 restantes.

Partido: PV
Posição: -2,5
Porquê da posição: O PV é um partido social-democrata, como o PT. Mas as diferenças saltam aos olhos. Enquanto no PT se pensa que o problema ecológico é conseqüência do problema social, no PV se pensa que o problema ecológico é paralelo ao problema social.

Partido: PTdoB
Posição: 1

Partido: PP
Posição: 1
Porquê da posição: O chamado Partido Progressista é só de fachada. Não se pode pensar diferente de um partido que tem Severino Cavalcanti, Pedro Corrêa e outros velhos conservadores (e com um histórico não muito limpo moralmente).

Partido: PSTU
Posição: -5
Porquê da posição: Alguém questiona? Nem Prefeitura assumiram, ainda, por causa de suas idéias extremas.

Partido: PCB
Posição: -5
Porquê da posição: Extremistas e radicais como um todo, creio que não administrem nenhuma prefeitura.

Partido: PRTB
Posição: 1

Partido: PHS
Posição: -1,5

Partido: PSDC
Posição: 1
Porquê da posição: Mesmo sendo cristão (e, portanto, conservador), o partido assume uma característica social-democrata, o que o aproxima do Centro.

Partido: PCO
Posição: -4

Partido: PTN
Posição: -1

Partido: PSL
Posição: 1
Porquê da posição: O Partido Social-Liberal é uma teratologia do quadro político brasileiro. Eu, pelo menos, não consigo enxergar como um partido pode defender idéias sociais e liberais ao mesmo tempo. Ou é social-democrata, social progressista, etc, ou é liberal.

Partido: PRB
Posição: -2
Porquê da posição: Lendo bem o estatuto, reconhece-se no partido ideais sociais-democrata, com um projeto de Estado que regula determinados aspectos para garantir o bem-estar social de seus cidadãos.

Partido: PSOL
Posição: -4,5
Porquê da posição: Não são tão extremistas quanto parecem. Na votação da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que aprovou naquela Comissão a entrada da Venezuela no Mercosul, o PSOL votou com o Governo.

Partido: PR
Posição: 1,5
Porquê da posição: O PR é o partido resultante da fusão do PL com o PRONA.


Recentemente disseram que um novo partido ia ser fundado, o Partido Pátria Livre, dissidência do PMDB, formado pelos integrantes do MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro).

sábado, 6 de dezembro de 2008

Da Extrema-Esquerda a Extrema-Direita 1

Antes de iniciar o quadro político, eu quero expor a Metodologia.

Para qualificar o partido, eu utilizei dos seguintes critérios:
1. Estatuto, programa e história partidários - Dá uma primeira impressão da ideologia do partido, a impressão da Teoria Partidária
2. Apoio ao Governo Federal quando da chegada ou saída de determinado grupo da Presidência da República - Dá uma segunda impressão da ideologia do partido, a impressão da Prática Partidária
3. Porcentagem de dissidências - Dá uma idéia da Homogeinidade, Coerência e Coesão partidárias

Para classificar os partidos em esquerda ou direita, vamos utilizar a seguinte régua: (p.s.: dá pra ver que a régua está "quebrada" por causa do tamanho, mas imaginem-na reta, contínua)

-5 . -4,5 . -4 . -3,5 . -3 . -2,5 . -2 . -1,5 . -1 . -0,5 . 0 . 0,5 . 1 . 1,5 . 2 . 2,5 . 3 . 3,5 . 4 . 4,5 . 5

Quanto mais perto de -5, mais esquerdista, e, quanto mais perto de 5, mais direitista. Isso não significa que a esquerda é algo negativo, e a direita é algo positivo. Isso é só o método que utilizaremos. Vamos lá? São 27 partidos no total, portanto, hoje só mostraremos 13.

Partido: PMDB
Posição: 0
Porquê da posição: Ora, logo no início, o PMDB foi comandado pela corrente denominada Autênticos, aqueles que fundaram o PMDB e que eram constantemente ameaçados pelo ditador de plantão. Já do meio da ditadura pra cá, os Moderados vêm se alternando no comando do partido, sendo o mais conhecido Tancredo Neves por ter se lançado candidato a Presidente. Depois dele, nunca mais o PMDB lançou candidato, sempre apoiando aquele que vence. Ulysses Guimarães, um autêntico, até se candidatou em 1989, mas foram Lula e Fernando Collor que passaram para o segundo turno.

Partido: PTB
Posição: 1,5
Porquê da posição: O PTB, partido outrora de Getúlio Vargas, reiniciou suas atividades de forma turbulenta. Leonel Brizola, querendo refundá-lo, entrou com o requerimento, mas ou a filha ou a neta de Getúlio conseguiu impedir, "por questões de família" (comentário: nunca vi partido virar objeto de herança). Aí, como ela não era afeta às questões políticas, o partido foi tomado de assalto pelos empresários. O Presidente Regional do partido em Pernambuco, Armando Monteiro Neto, é também Presidente da Confederação Nacional das Indústrias. Antônio Ermírio de Moraes já se candidatou a Prefeitura de São Paulo, pelo PTB.

Partido: PDT
Posição: -1
Porquê da posição: Não conseguindo fundar o PTB, Leonel Brizola fundou o PDT. Para ele migraram políticos que faziam parte do antigo Centrão, formado durante a Assembléia Constituinte de 1988, como Cristovam Buarque. Flerta com a social-democracia.

Partido: PT
Posição: -2,5
Porquê da posição: Formado, no início, por uma frente ampla de trabalhadores (metalúrgicos, sindicalistas, etc) e por movimentos sociais diversos (MST, UNE, etc), o PT estaria a -4, não fosse a guinada ao centro quando assumiu o poder. Com uma história de base, há algo que não deixa o PT passar de -2.

Partido: PFL
Posição: 5
Porquê da posição: O PFL, oriundo do PDS, ARENA e UDN, não nega suas origens. Há quem o chame de Democratas, mas isso é piada demais pro meu gosto. Foi ele quem realmente assumiu o poder na Breve Era FHC. É só Lula dar um espirro, que José Agripino (Senador do partido pelo RN) faz um discurso na tribuna do Senado, convocando as Forças Armadas a reestabelecer a legalidade (seja lá o que isso significa para o Senador) e ainda protocola um pedido de CPI do Espirro.

Partido: PCdoB
Posição: -2,5
Porquê da posição: Dissidência do PCB, o PCdoB mostra-se um partido mais moderado que suas origens.

Partido: PSB
Posição -3,5
Porquê da posição: Originário, também, dos movimentos sociais em acordo com políticos já conhecidos, como Miguel Arraes (nascido no Ceará, fez carreira política em Pernambuco). As idéias ainda são novas, e precisam ser refletidas. Mesmo assim, o partido começa a mostrar sua cara, exibindo sucessos em gestões como Pernambuco, Rio Grande do Norte e João Pessoa (PB) (que teve o prefeito reeleito esse ano), além de outras gestões.

Partido: PSDB
Posição: 3,5
Porquê da posição: Ao fazer o rascunho, o PSDB estava a 3. Ao revisar, o coloquei a 3,5, ficando numa dúvida danada de colocar a 4. O partido foi na onda do PFL e se deu mal desde o começo do Governo Lula. Geraldo Alckmin (SP) percebeu isso e concorreu a Prefeitura de São Paulo contra a vontade de José Serra, que queria que o partido apóiasse Gilberto Kassab (PFL-SP). Alckmin acabou perdendo a eleição e capital político dentro e fora do partido.

Partido: PTC
Posição: 2
Porquê da posição: Assumindo uma postura característica de uma religião, o partido pende para ter ações e posições conservadoras.


Partido: PSC
Posição: 0,5
Porquê da posição: Apesar de ser cristão (conservador), é social, algo como o socialismo religioso (vide encíclica Rerum Novarum).

Partido: PMN
Posição: -1

Partido: PRP
Posição: 1

Partido: PPS
Posição: -0,5
Porquê da posição: Nem vou falar muito do PPS porquê este vai se fundir com o PSDB logo, logo. Surgido de uma rebeldia (dissidência, com certeza, não foi) de Roberto Freire (PE) junto ao Partidão, o PCB, o PPS queria trazer as idéias novas da social-democracia pós-queda do Muro de Berlim. Nesse ponto, a teoria era o máximo, mas Roberto Freire se perdeu em algum momento. Participou do Governo privatista do PSDB-PFL, chegou a participar de uma parte do Governo Lula, mas se tornou Oposição ainda no primeiro mandato. Nessas eleições, diminuíram a tal ponto (57%) que vão se fundir com o PSDB.

Se alguém discordar, exponha seus argumentos. Próxima postagem tem mais 14.

sábado, 1 de março de 2008

Ía passando em branco...

Eita... ía quase passando em branco. Falta falar sobre o PV - Partido Verde, registrado em 30 de setembro de 1993.

Baseado nas tendências esquerdistas-ambientalistas dos partidos verdes da Europa, principalmente o Partido Verde Alemão. Seu principal expoente é o deputado federal pelo Rio de Janeiro Fernando Gabeira.
O conteúdo programático do PV é a economia de mercado regulada pelo Estado pautada num desenvolvimento sustentável e na diminuição das desigualdades sociais. Defende o pacifismo, o federalismo, o parlamentarismo e a democracia direta.
A partir de 2003, até maio de 2005, fez parte da base aliada do Governo Lula, rompendo por não concordar com as políticas ambientais adotadas pelo governo. O atual Ministro da Cultura Gilberto Gil é membro do partido.
Passados 15 anos de seu registro, e 22 anos de fundação (1986), o PV ainda pode se considerar um partido pequeno, com menos de 300 mil filiados. Não é por causa de falta de vontade ou falta de movimentação política do movimento ambientalista. É mais pela inconstância das alianças políticas, o que faz o partido ser tachado de fisiologista, o que eu não concordo.
Para mim, o objetivo do partido, o desenvolvimento sustentável, não é um meio em si, e sim um fim. Vamos tomar o exemplo de uma favela surgida nas margens de um rio. Qual o problema principal? Depende do partido. Pro PT, é a desigualdade social. Pro PV, é o meio ambiente degradado. Mas, não importa quantas vezes você limpe o rio, se a favela continuar ali, o rio voltará a ficar sujo. Então, para que a solução não seja só paliativa, é necessário que se retire a favela daquele local.
Não adianta nada chegar na tribuna da Câmara dos Deputados e meter pau no Presidente Lula, dizendo que o desmatamento da Floresta Amazônica é um crime, quando, na verdade, o crime é a desigualdade social deixada pelo Governo FHC. Não acho que o PV seja fisiológico, mas, como os demais partidos, ele também faz média.


O PRONA - Partido da Reedificação da Ordem Nacional -, que tinha em Enéas Carneiro seu maior expoente, se fundiu ao antigo PL (Partido Liberal), donde surgiu o atual PR - Partido da República.
Isso ocorreu em função da cláusula de barreira, que determinava que o partido deveria ter 5% dos votos para a Câmara dos Deputados,tendo 2% distribuídos por 5 estados.

O PAN também seguiu por esse caminho, se juntando ao PTB.

O STF, depois, declarou a cláusula de barreira inconstitucional, mas os partido mantêm as fusões.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A Base é importante!

Para finalizar a série sobre os partidos brasileiros, eu falo sobre três dos principais partidos da Base Aliada do Governo Lula: PTB, PDT e PSB.

Registrado m 03 de novembro de 1981, o PTB foi originalmente criado em 15 de maio de 1945, sob inspiração getulista, no bojo do Movimeno Queremista ("Queremos Getúlio"), que pedia uma Assembléia Constituinte com Getúlio na Presidência da República. Sua base eleitoral era o operariado urbano, com fortes ligações com os sindicatos. Ideologicamente, o PTB seguia o castilhismo gaúcho, o positivismo ("Ordem e Progresso"), traços de social-democracia e o pensamento de Alberto Pasqualini. Entre 1945 e 1964, foi o partido que mais cresceu. Fortemente ligado ao PSD (Partido Social Democrático), elegeram juntos vários presidentes. Em 1945, o PSD elegeu o general Eurico Gaspar Dutra, com o apoio do PTB. Em 1950, o PTB elegeu Getúlio (o PSD tinha lançado Cristiano Machado candidato). Em 1955, a coligação volta com o pessedista Juscelino Kubitschek e o trabalhista João Goulart. Somente em 1960, a coligação foi derrotada, por Jânio Quadros, o doido, do PDC, apoiado pela UDN. João Goulart foi reeleito vice-presidente (na época, o vice era eleito separadamente do presidente).
Daí em diante, vocês sabem da história: Jânio renunciou, e Goulart só assumiu num sistema parlamentarista, repudiado pela população em 1963. Veio o golpe, e o golpe dentro do golpe, com o AI-5, que, dentre as várias medidas, acabou com o pluripartidarismo. A maior parte dos políticos do PTB passou para o MDB.
Após a anistia, Leonel Brizola quis refundar a legenda, mas teve que enfrentar a ex-deputada Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio Vargas, no TSE. Sofrendo derrota, Brizola fundaria o PDT - Partido Democrático Trabalhista.
Declarando-se, em seu programa, nacionalista, defensor da autonomia sindical e dos direitos trabalhistas consagrados na CLT, a prática política tem demonstrado apoio governista irrestrito, seja nos governos coronelista de Sarney, neoliberais de Collor e FHC, ou social-democrata de Lula, escancarando praticamente um partido fisiológico. Nos estados é a mesma coisa.

Registrado em 10 de novembro de 1981 (sete dias depois do PTB), o PDT - Partido Democrático Trabalhista surge da derrota judicial sofrida por Leonel Brizola, em que Ivete Vargas, sobrinha de Getúlio, reclamava a posse da legenda PTB, criada por Getúlio. Ao longo da década de 1980 e parte da década de 90, dividiu com o PT o posto de principal força de esquerda no país, fazendo oposição ao Governo FHC. Na eleição de 1989, Leonel Brizola era um dos presidenciáveis.
Dentro do partido, houve uma polarização de forças entre os grupos de Leonel Brizola e Anthony Garotinho, razão pela qual Garotino saiu mais tarde para o PSB. Brizola, antes de falecer em 2004, sempre se candidatou a Presidente e Senador pelo Rio de Janeiro.
Em 2002, o PDT apoiou Lula no segundo turno, chegando a ser da base até meados do primeiro governo, quando passou a fazer oposição. Alguns petistas chegaram a mudar para o PDT. Em 2006, o PDT liberou seus votantes para votarem em quem quisessem no segundo turno, não apoiando ninguém formalmente. Participa atualmente da base aliada com Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e Ministro do Trabalho.
Definitivamente, o PDT não é fisiológico. Brizola nunca o deixou ser. Quando é para elogiar, os pedetistas elogiam. Quando é para criticar, os pedetistas criticam.

Por último, o PSB. Registrado em 01 de julho de 1988, o PSB foi criado em 1947. Antes de 1947, houve vários PSB's regionais. Em 1932 houve a criação de um PSB no Rio de Janeiro de formação tenentista e pró-getúlio.

Em abril de 1947, por ocasião da 2ª Convenção Nacional da Esquerda Democrática, no Rio de Janeiro, seus integrantes decidiram construir o PSB. De formação antigetulista, o PSB procurou representar uma alternativa ao PTB e ao PCB. Mesmo recebendo a adesão de intelectuais e estudantes, o PSB em 1950 ainda era fraco e pequeno, com ação praticamente limitada ao estado de São Paulo.
Isso levou o PSB a se aproximar com o PCB. Em alguns casos, o partido ofereceu a legenda para o lançamento de candidaturas comunistas. Em outros casos, obteve o franco apoio do PCB, como em Pernambuco, quando em 1952 lançou o jornalista Ozório Borba candidato a governador, sendo derrotado pelo conservador Etelvino Lins. Três anos depois, em 1955, o socialista Pelópidas da Silveira foi eleito prefeito da capital pela "Frente de Recife" (coalizão reunindo o PSB e o PTB, com o apoio dos comunistas), hegemonia de coalizão de esquerda que durou até 1964.
O suicídio de Getúlio Vargas levou o PSB a se recolocar no campo oposto ao PTB. Em 1955, o partido uniu-se a coalizão antigetulista liderada pelo general Juarez Távora, candidato apoiado pela UDN.

Ainda no começo dos anos 50, o PSB ensaiava uma aproximação política com Jânio Quadros. Em 1953, o apoiou na candidatura para prefeito de São Paulo. No ano seguinte, apoiou sua candidatura para governador. Mas, o programa político difuso de Jânio sempre esteve em choque com ideal marxista do partido, o que só foi resolvido com a expulsão dos janistas e o anúncio do apoio ao candidato adversário, o general Teixeira Lott (PSD-PTB), que foi derrotado. Com a renúncia de Jânio, defendeu a posse de João Goulart, e, devido à isso, o PSB foi atigindo de frente pelo golpe de 1964. Quase todos os partidários ingressaram no MDB.
Após a anistia, estavam dispersos. Uns permaneceram no PMDB (como Pelópidas da Silveira), uma grande parte se filiou ao PDT, enquanto a maioria dos intelectuais participaram da fundação do PT. Em 1989, apoiou a candidatura de Lula junto com o PCdoB. No início da década de 1990, Miguel Arraes se desfiliou do PMDB, indo para o PSB. Foi eleito deputao federal no mesmo ano, levando mais 4 deputados. Em 1994, foi eleito governador de Pernambuco. Não aceitou a filiação de Ciro Gomes (ex-PSDB). Perdeu em 1998 para o PMDB de Jarbas Vasconcelos.
Em 2000, aceitou a filiação do então governador Garotinho, o que causou atritos e saídas do partido. Em 2002, Garotinho concorreu a Presidência, ficando em terceiro lugar, e elegendo a esposa no governo do Rio de Janeiro. No segundo turno apoiou Lula, participando desde então do seu governo, primeiramente com o ex-ministro Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia). O choque entre o presidente Lula e Garotinho intensificou o choque entre Garotinho e o PSB, fazendo-o sair do partido, indo pro PMDB e levando sua esposa e o ministro. Assim, o grupo político de Arraes volta ao comando do PSB, Eduardo Campos vira ministro, e, posteriormente, é eleito governador de Pernambuco.
Comentário: Hoje, sem dúvida, o PSB reconquistou o espaço perdido por causa da ditadura e das idéias novas com que veio o PT, com força total, na redemocratização. Tem direito a um bom espaço na Base, sem esquecer a história, a experiência: toda vez que o partido quis lançar nome próprio, se deu mal.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A Verdadeira Social-Democracia

O PT - Partidos dos Trabalhadores (registrado em 11 de fevereiro de 1982) é, realmente, um partido complicado (mais até que o PMDB, porque, neste, os partidários têm opinião diferente, mas não vão lavar roupa suja na imprensa). Mas, só podia ser complicado, pois ambrange tendências de extrema-esquerda (muito pouco hoje) até a esquerda liberal.

Mesmo sendo recente sua criação (26 anos), pode contar histórias, que vem desde antes. Remonta às greves de metalúrgicos do começo dos anos 1970 (enfrentando a ditadura), que tinha entre seus líderes Luis Inácio da Silva, conhecido por Lula. Esse movimento foi ampliado para outras classes de trabalhadores, tendo a CUT à frente.
Composto por dirigentes sindicais, intelectuais de esquerda e católicos ligados a Teologia da Libertação, se recusaram a participar da eleição do Colégio Eleitoral quando disputavam Paulo Maluf e Tancredo Neves, pois achavam que só participar era legitimar o governo ditatorial.
Em 1989, na primeira eleição direta para Presidente da República, seu principal expoente, Lula, chegou ao segundo turno com Fernando Collor. Mesmo com o apoio do PSDB, que concorrera no primeiro turno com Mário Covas, Lula não foi eleito devido às grosseiras e explícitas manipulações do debate eleitoral da Tv Globo (naquela época, às 9 da noite 80% da população já estava dormindo, e o debate só foi visto no dia seguinte, todo editado de modo a favorecer Collor).
Deu no que deu! Collor fez aquilo que a Tv Globo disse que Lula faria.

Em 1994, visto o precedente de 1989, estava sendo costurado uma aliança PSDB-PT. Porque não foi pra frente? Vamos abrir um parênteses. Não era todo o PSDB que queria a aliança. O PSDB chegou a participar timidamente do Governo Collor, aumentando a participação quando Itamar (PMDB-MG) assumiu. O PSDB era a favor do parlamentarismo no plebiscito de 1993, pois, assim, Lula podia se candidatar a Presidente, que não teria tanto poder quanto o Primeiro-Ministro, um pê-esse-dê-bista (mais provavelmente FHC).
Pois bem... o presidencialismo venceu (de novo), e aí o PSDB procurou os partidos. Se aceitasse a aliança com o PT, seria Lula e Tasso Jereissati na vice-presidência. Se aceitasse a aliança com o PFL, seria FHC e Marco Maciel na vice-presidência. Mas, porquê o PFL? Porque o PSDB precisava de votos no NE, curral eleitoral do PFL na época (os Sarney no Maranhão, ACM na Bahia, os Magalhães em Pernambuco, os Maia no Rio Grande do Norte, os Cunha na Paraíba, e por aí vai). Fecha parênteses.

Aí , Lula tentou em '94, e foi derrotado por FHC. Mas, tinha '98. Tinha. FHC, presidente, dando início ao chamado mensalão, comprou deputados e senadores para aprovar a Emenda Constitucional nº 16/1997, que garantia uma reeleição para os cargos executivos. Lá se foram mais 4 anos.
Como todos sabem, em 2002, Lula chega à Presidência, tornando o PT o maior partido de esquerda da América Latina. Hoje, o PT passa por uma certa crise de identidade por causa dos grupos ideológicos internos. Mas, como demonstrou em outras ocasiões, o interesse do partido em resolver os problemas nacionais estão acima dos interesses dos grupos partidários.
Mesmo que o partido não queira dividir muitas vezes o poder (o que eu acho legítimo, qual partido hoje não quer o poder na sua totalidade?), não vejo porque o partido também não possa indicar representantes para liderar processos de esquerda. O partido não se entregou aos auspícios neoliberais, ao contrário, sua ala majoritária sempre foi social-democrata.
O desafio do partido nessas eleições é consolidar prefeituras onde já tem um trabalho forte, apoiar candidatos de partidos governistas em cidades onde o PT não é forte, e conquistar prefeituras de cidades que estejam na mão da oposição (principalmente as capitais do Sudeste e Sul).

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Alguns partidos de esquerda

Alguns partidos de esquerda são pequenos, mas não são fisiológicos. Um deles é o PCdoB - Partido Comunista do Brasil, registrado no TSE em 23 de junho de 1986. Uma dissidência do PCB, o PCdoB ainda não se consolidou. Muito mais por causa da voracidade do PT do que pelo esforço dos partidários. Participante do chamado bloquinho (PSB-PDT-PCdoB) da base de apoio do Governo Lula, se distanciou um pouco junto com os outros por causa da aliança do PT com o PMDB neste segundo mandato. É legítimo o PCdoB querer alçar vôo próprio, com candidatos próprios. Mas, isso representa um risco à Frente de Esquerda e ao próprio PCdoB.
Em 2000, o PT elegeu o prefeito do Recife, e o PCdoB elegeu a prefeita de Olinda. Em 2004, se reelegeram. Porquê em 2008, o vice-prefeito do Recife, que é do PCdoB, quer ser candidato, e o PT quer lançar candidato em Olinda? É algo meio irracional. Se o vice-prefeito de Recife for candidato à vereador, ele leva e leva mais alguns do PCdoB com ele.
Lembrando que Lula só subirá em palco de candidato governista onde a base aliada estiver unida.

Outro partido de esquerda pequeno é o PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, registrado em 19 de dezembro de 1995. De acordo com a Wikipédia, é a seção no Brasil da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional. Agrega também dissidentes socialistas e comunistas oriundos da tendência intra-partidária Convergência Socialista, do PT .

Mais outro é o PPS - Partido Popular Socialista, registrado em 19 de março de 1992. Alías... se diz de esquerda, mas é veladamente um partido de direita. Dissidente do PCB, o PPS foi fundado por Roberto Freire numa tentativa de se apoderar da sigla PCB, a qual não conseguiu. Segue os princípios social-democratas, se alinhando totalmente com a direita. Participou ativamente do Governo FHC, junto com o PFL e o PSDB. Chegou a participar do primeiro mandato do Governo Lula, mas foi para oposição, afirmando sua genética pelega.

O quarto partido pequeno de esquerda é o P-SOL (eu grafo PSOL) - Partido Socialismo e Liberdade, registrado em 15 de novembro de 2005. Também dissidente do PT, o partido foi fundado por membros que acreditaram no mensalão: Helóisa Helena (expulsa do PT), Chico Alencar, Plínio de Arruda Sampaio (que fundou o PT), Ivan Valente, Luciana Genro (expulsa do PT), e outros. No decorrer do tempo, mais gente foi se filiando ao partido. Helóisa Helena, em 2006, concorreu à Presidência da República pela Frente de Esquerda, junto com o PCB e o PSTU.

Tem dois partidos em particular que eu gostaria de falar rápido. São o PR - Partido da República, registrado em 19 de dezembro de 2006, e o PRB - Partido Republicano Brasileiro, registrado em 25 de agosto de 2005. Eu tenho dúvidas quanto a estes partidos serem de esquerda.
O PR é o antigo PL (Partido Liberal) com novo nome. Aquele PL, onde 90% dos quadros do partidos esteve envolvido no mensalão, que ainda está por se provar. O partido era liberal só no nome. Composto quase que integralmente por evangélicos, é um dos partidos mais conservadores. Seu maior expoente é o senador Marcelo Crivella (RJ) - evangélico.
O PRB, segundo a Wikipédia, é uma dissidência do PL. Diz-se partido de centro-esquerda, mais próximo ao Governo Lula que o antigo PL. Eu, blogueiro, não vejo diferença entre o PR e o PRB. O maior expoente do PRB é o vice-presidente José Alencar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

À Esquerda...

O registro do primeiro partido, depois da redemocratização, que se diz de esquerda é de 11 de fevereiro de 1982 - registro do PT - Partido dos Trabalhadores - no TSE.

Mas, historicamente fundado, o primeiro partido é o PCB - Partido Comunista Brasileiro, registrado mais recentemente em 09 de maio de 1996. Na história, sua fundação é de 1922, ano em que o Brasil completou 100 anos de independência. Não havia ano mais justo para a fundação do partido que iniciaria o movimento de esquerda no Brasil.
Para vocês verem a opressão que se fez durante o período de "existência" do partido, eu adianto que a licença do partido foi cassada 4 vezes durante estes 86 anos de "existência" - com aspas, até porque, mesmo declarado ilegal, seus membros não podiam parar de agir em prol do socialismo.

Se em 25 de março de 1922 ele foi fundado, em junho do mesmo ano sua licença foi cassada pela primeira vez pelo Presidente Epitácio Pessoa.
Volta a legalidade em janeiro de 1927, quando elege Azevedo Lima para a Câmara dos Deputados. Retorna a ilegalidade em agosto do mesmo ano. Já com Luís Carlos Prestes, o PCB passa a participar da Aliança Nacional Libertadora - ANL (que talvez eu explique em outra postagem o que é).

Sob o comando de Prestes, em 1935, acontece a Intentona Comunista (revolta retratada no filme "Olga"), em que se pretendia derrubar o Governo de Getúlio Vargas e implantar um governo socialista no país. Por causa disso, em 1937, Vargas implanta o Estado Novo, uma ditadura civil, passando a perserguir os comunistas.
Somente em 1945, com o fim do Estado Novo e com Prestes tendo sido anistiado, o PCB volta a legalidade, elegendo 14 deputados federais e um senador, o próprio Prestes, para a Assembléia Constituinte, para redigir uma nova Constituição em substituição a de 1937, outorgada por Vargas para a sua ditadura.
Com duzentos mil filiados em 1947, seu registro eleitoral é cassado pela terceira vez em abril, no Governo do General Gaspar Dutra (eleito "democraticamente", primeiro presidente discípulo de Vargas). No ano seguinte, seus parlamentares têm seus mandatos cassados.

Em setembro de 1950 o PCB institui uma campanha de legalização da sigla, o que o faz realizar várias mudanças: no nome (de Partido Comunista do Brasil para Partido Comunista Brasileiro, mantendo-se a sigla), no programa e nos ideias (abandono dos ideias maxista-leninistas). Posteriormente, o nome Partido Comunista do Brasil e a sigla PCdoB foram restaurados.
Se reorganizaram, e em 1962 a organização política foi alinhada com o Partido Comunista Chinas (PCCh), e, posteriormente, com a linha ideológica do regime comunista da Albânia e de seu líder Enver Hoxha.

Em abril de 1964, o regime ditatorial militar impôs o quarto período do partido na ilegalidade. Assim o foi até a anistia de 1979, quando seus dirigentes podem voltar ao Brasil. Mas, dos que estavam por aqui, muitos já se juntavam a frentes amplas de trabalhadores, embriões do Partido dos Trabalhadores.

A partir de 1989, com a crise do Leste Europeu e crise de representatividade (perdendo espaço para o PT), surge também uma crise dentro do PCB. Se divide, a grosso modo, em dois grupos: um grupo liderado pelo então senador Roberto Freire, que desejava abraçar o ideal social-democrata recém-surgido no Brasil com os partidos PT e PSDB, abandonando a revolução social e a herança soviética (até mesmo depois do fracasso da invasão do Afeganistão); e outro grupo liderado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, cartunista Ziraldo e outros intelectuais (de verdade!), que desejavam fazer uma análise do quadro da crise do Leste Europeu.
Roberto Freire consegue aprovar um congresso-relâmpago, onde pessoas não-filiadas decidiam o futuro do Partidão, conseguindo fundar o PPS - Partido Popular Socialista.
Após intensa disputa jurídica, na qual Freire queria registrar como propriedade sua a legenda PCB e entregar todo o documento histórico às Organizações Globo (ai que vontade de falar uma coisa nessa hora...), o grupo comunista consegue manter a sigla e o partido, derrotando Freire.

Comentário: Hoje, o PCB pode falar que é um partido, de pessoas ilibadas, idôneas. Qualquer ofensa ao partido eu consideraria crime. Acho legítimo o PCB não aceitar se filiar aos partidos de centro-esquerda, como PT, PSB, PDT, etc. Mas, hoje não vivemos num mundo de extremos. Até, porquê, poderiam compreender que, se Lula saísse gritando aos quatro ventos a revolução, como faz Chávez, a Globo chamaria a população para derrubá-lo. Então, melhor uma revolução silenciosa do que uma com violência.
Talvez eu fale do PPS num texto pequeno, ou junto com outros partidos, porque o PPS se mostrou o que é: um partido de direita.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Mais partidos...

Há muito tempo que Igreja e Estado se separaram, mais precisamente em 1888, principalmente quando decidiu que o casamento na Igreja Católica não valia simultaneamente como casamento civil. Outra medida foi a expulsão de todo o clero do aparelho estatal.
A partir daí, a Igreja não era mais uma atriz direta das ações governamentais. Passou a ter uma ação "independente", elogiando e criticando (mais criticando que elogiando) os governos. Na ditadura, teve voz ativa contra os militares, com igrejas servindo como esconderijos aos considerados subversivos. A Catedral da Sé, em São Paulo, foi muitas vezes personagem principal daqueles anos.

Com a abertura política, voltaram os partidos. E uma certão atuação direta das igrejas na política. Igrejas, porque além da Católica, a Igreja Protestante também passou a ter grande atuação política. Não é à toa que existem vários canais de televisão evangélicos.
Se antes o parlamentar tinha que defender no seu próprio partido interesses religiosos, agora ele dispõe de três partidos assumidamente cristãos: PTC - Partido Trabalhista Cristão (registrado em 22 de fevereiro de 1990), PSC - Partido Social Cristão (registrado em 29 de março de 1990) e PSDC - Partido Social Democrata Cristão (registrado em 05 de agosto de 1997). São partidos pequenos. Defendem os valores morais da família e a ética na política. Na prática, isso quer dizer uma influência direta da Igreja no Estado.

Outro partido pequeno é o PP - Partido Progressista, registrado em 16 de novembro de 1995. Uma piada, porquê de progressista seus quadros não têm nada, está mais para "regressista". Severino Cavalcanti é um exemplo. Se encaixa, junto com o PMDB, no rol dos partidos fisiológicos.

Mais partidos, não tão fisiológicos, mas que atrapalham de certa forma a governabilidade: PMN - Partido da Mobilização Nacional, registrado em 25 de outubro de 1990; PRP - Partido Republicano Progressista, registrado em 29 de outubro de 1991; PTdoB - Partido Trabalhista do Brasil, registrado em 11 de outubro de 1994; PRTB - Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, registrado em 28 de março de 1995; PHS - Partido Humanista da Solidariedade, registrado em 20 de março de 1997; PCO - Partido da Causa Operária, registrado em 30 de setembro de 1997; PTN - Partido Trabalhista Nacional, registrado em 02 de outubro de 1997, e PSL - Partido Social Liberal, registrado em 02 de junho de 1998.

Ainda não falei sobre os grandes partidos de esquerda. Falarei na próximo oportunidade.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Pra Direita ou pra Esquerda? Depende do vencedor...

Vamos falar sobre o maior partido (?) do Brasil, o PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro, registrado no TSE em 30 de junho de 1981.

Surgido após o AI-2, que extinguiu o pluripartidarismo e impôs o bipartidarismo, como resposta a criação do partido governista ARENA - Aliança Renovadora Nacional -, o MDB - Movimento Democrático Brasileiro - era o partido de oposição ao governo na época da ditadura. Defendia as eleições diretas para Presidente e demais cargos do executivo, a serem ocupados por um civil.
Atravessou a ditadura, e chegou à redemocratização com os nomes de Tancredo Neves e José Sarney na chapa oposicionista, que foi a vencedora no Colégio Eleitoral. Com a morte de Tancredo, Sarney assume como primeiro presidente civil, da Nova República.

Desde então, o PMDB nunca mais foi o mesmo. Eleito Collor em 1989, assumiu a direção do partido uma ala que vem se mantendo e que não é a ala do grupo "autêntico" do PMDB. Michel Temer e Renan Calheiros eram da tropa de choque de Fernando Collor. José Sarney, maranhense, recém-saído da Presidência, se candidatou a senador... pelo Amapá!
Renan Calheiros foi Ministro da Justiça (?) de FHC. Nelson Jobim deixou o partido pra representar os interesses políticos do Governo FHC como Ministro do Supremo Tribunal Federal, que deveria ser puramente jurídico. Michel Temer continuou pertecendo ao governo.
No primeiro mandato de Lula, José Dirceu barrou a entrada do PMDB na base aliada do governo Lula, o que de certa forma causava instabilidade nas votações. Com sua saída, no segundo mandato o PMDB caiu como um elefante, ocupando os espaços dos Ministérios que mais recebiam grana. Afinal, é neles que ocorrem os maiores vendavais ("dinheiro na mão é vendaval...").

O PMDB sempre prometeu ter candidato pra Presidente pra eleição seguinte, desde 1998. Mas, como perderam em 1989, com Ulysses Guimarães, e em 1994, com Orestes Quércia, aprenderam a lição. Não lança candidato, e depois negocia o apoio ao candidato vencedor.
Se nas eleições pra Presidente o PMDB deixa a desejar, nas eleições pra Deputado e pra Senador eles são o maior partido. E nesse ponto, podemos fazer uma primeira divisão do partido: se você negocia com pê-eme-dê-bistas da Câmara dos Deputados, você tem que negociar com os pê-eme-dê-bistas do Senado, senão não passa.
Em estados e em municípios o PMDB é forte nas eleições para eleições do Executivo (governador e prefeito) e fraco nas eleições legislativas. Isso de certa forma aumenta o poder de barganha com o Governo Federal. O que é melhor pro Governo Federal do que conseguir o apoio do um governador, levando seus prefeitos junto?

Exatamente por ser grande, o PMDB tem diversas correntes. No plano nacional, há os que apóiam o Presidente Lula e os que são contra. Há os governadores situacionistas e os oposicionistas. Há os prefeitos situacionistas e os oposicionistas. Sempre foi assim, e sempre será neste singular partido. Não expulsam o político que não seguem a orientação da Executiva Nacional, por um simples motivo: quanto mais representação um partido tem na Câmara dos Deputados, mais ele recebe: 1) dinheiro, do Fundo Partidário; e, 2) tempo, no horário eleitoral gratuito.

Opinião: Por uma parte minha, o PMDB nunca seria extinto. É um exemplo, até, para todos os outros partidos. Um partido que enfrentou a ditadura, sabe bem o que é uma ditadura, e, por isso, deixa que seus políticos decidam da maneira como lhes convém, conforme suas convicções pessoais. Como eu falei na postagem sobre Fidelidade Partidária, o TSE e o STF criaram uma "ditadura dos partidos".
Por outro lado meu, o PMDB seria extinto, sim. É um exemplo de partido fisiológico.

Quer saber mais sobre o PMDB, do seu início até o fim da ditadura? Veja em http://z001.ig.com.br/ig/62/61/1019837/blig/blogdohudson/2008_01.html#post_19048219

sábado, 19 de janeiro de 2008

A "Nova" Direita

Vamos falar sobre o PSDB - Partido da Social-Democracia Brasileira.

A história desse aqui é mais fácil do que a do PFL. Foi registrado em 24 de agosto de 1989.

O PSDB é uma dissidência dos sociais-democratas do PMDB. Dizem que foi por causa do rumos adotados pelo PMDB e pela política adotada por José Sarney, que assumiu a Presidência depois da morte de Tancredo Neves. O grupo era formado na época por "intelectuais" e políticos articulados sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso (senador à época), Mário Covas (também senador à época), Franco Montoro, José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves (neto de Tancredo Neves), Arthur Virgílio Neto, entre outros.

Vamos abrir um parênteses para explicar, rapidinho, o que é a social-democracia. Depois da 2ª Guerra Mundial, o mundo praticamente se dividiu em capitalistas e socialistas. Ou você era um capitalista-liberal ao lado dos E.U.A., ou você um socialista ao lado da U.R.S.S. - União das Republicas Socialistas Soviéticas.
Os europeus, que de bobos não têm nada, não gostaram dessa divisão simplista - o Bem e o Mal (sem dizer qual é o Bem e o qual é o Mal). Então, criaram uma terceira via: a social-democracia. Pegaram o que tinha de bom nos dois sistemas e juntaram. E o que é a social-democracia?
O cidadão tem direito à propriedade privada, mas esta mesma propriedade deve cumprir uma certa função social. O Estado não pode ser Máximo, interferindo em tudo, mas também não pode ser Mínimo, de modo a garantir as mínimas condições da dignidade do cidadão, de sobrevivência do ser humano.
Há escolas públicas e privadas. Há hospitais públicos e privados. Há previdência pública e privada. Um caso bem demonstrável são as recentes greves na França. O presidente recém-eleito Nicolas Sarkozy, conservador de direita, queria extinguir vários direitos (que a Mídia noticiava como privilégios) dos funcionários públicos franceses. O país, simplismente, parou, porque um presidente-celebridade (em maio, dois meses depois de assumir a Presidência, se divorciou depois de anos casado, e agora em janeiro se casou com uma modelo italiana anos mais nova que ele) queria extinguir direitos conquistados depois de anos de luta. Só tentar fazer isso no país da Revolução Francesa, país-pai da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, é um crime de lesa-pátria.

Explicado o que é social-democracia, voltemos ao PSDB. Então, era um ideal bom que eles traziam da Europa para cá. O ideal era tão bom, que em 1989, na primeira eleição para Presidente depois da ditadura militar, Mário Covas obteve o quarto lugar do primeiro turno. No segundo turno, o partido apoiou (pasmem!) Luís Inácio Lula da Silva. Como vou falar numa próxima postagem, o PT e o PSDB tinham tudo para mandar e desmandar neste país.

Em 1994, estava sendo construída uma chapa Lula (PT) candidato a presidente e Tasso Jereissati (PSDB) como vice. Não sei porquê não foi para frente, mas o fato é que o PSDB se aliou com o PFL, tendo Fernando Henrique Cardoso candidato a presidente e Marco Maciel como vice. Foram eleitos. Mas, porquê com o PFL? Porque o Nordeste, na época, era um curral eleitoral do PFL. E, a partir daí, o PSDB esqueceu seu programa.

Sim, porque não defendeu nada de social-democracia. Em vez disso, assumiram o conteúdo programático do PFL. É o único caso que eu conheço na história. Assume o presidente de um partido, e ele executa o programa do partido do vice. O PSDB assumiu o lema do Estado Mínimo: 1) privatizou os setores de energia e telefonia; 2) acolheu capital privado em empresas públicas (transformando-as sociedades de economia mista); 3) iniciaram um processo (não terminado) de substituição dos Ministérios (que seriam extintos) pelas Agências Reguladoras (que existem até hoje), e outras medidas que não me lembro mais.
Além disso, o PSDB se corrompeu. As privatizações foram verdadeiros bacanais. A Vale do Rio Doce foi vendida por um terço do que valia na época. Por pouco a Petrobrás também não foi vendida.

E Fernando Henrique Cardoso gostou tanto do poder, que não deixa nem os partidários dele assumirem. Na eleição de 2002, mesmo sendo do partido de José Serra, estava torcendo por Lula. Pensava que Lula não era preparado pra Presidente. Chegou a não deixar pedirem o impeachemeant de Lula pra "deixar ele sangrar" (palavras do próprio). Porém, ele se esqueceu que não foi Lula quem participou do mensalão (se é que ele existiu), e sim o PT. São coisas distintas, Lula e o PT, diferença que o povo notou. E, em 2006, também torcia pra Alckmin perder, e, de fato, Lula ganhou com a mesma porcentagem que ganhara pra Serra: 61% contra 39%.

O PSDB hoje tem menos dificuldades que o PFL, mas tem. Os anti-FHC querem o rompimento do PSDB com o PFL. Quem comanda esta ala é Geraldo Alckmin (SP), que quer sair candidato à prefeitura de São Paulo, em detrimento do apoio do PSDB à candidatura de Gilberto Kassab (SP). Aécio Neves (MG) recentemente demonstrou apoio a candidatura de Alckmin, com vistas à candidatura à Presidência da República em 2010. Apoiando estes dois está Sérgio Guerra (PE), presidente fictício do partido, haja vista que FHC tem enorme poder sobre o partido. Os pró-FHC querem manter a aliança com o PFL. Desse jeito, José Serra, ao lado de FHC, quer que o PSDB abdique da candidatura própria e apóie Gilberto Kassab na reeleição.

Por fim, porquê "Nova", entre aspas? Porque o partido efetivamente se dispôs ao novo, mas aliado com o velho, não fez nada.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Velha Direita

Hoje, vamos começar a falar sobre os partidos. Minha opinião sobre os partidos. Porquê não começar pelo partido mais antigo de formação? O Democratas, "sigla" DEM.

O Democratas é o novo nome do Partido da Frente Liberal - PFL. Por isso, tem o registro no TSE do PFL - 11 de setembro de 1986. Porém, seus quadros são mais antigos. Temos que começar pela UDN.

A UDN - União Democrática Nacional - era um partido, fundado em 7 de abril de 1945, opositor ao Governo e a figura de Getúlio Vargas, e de orientação liberal. Nas eleições presidenciais de 1945, 1950 e 1955, seus candidatos a Presidência perderam. Em 1960 apoiou Jânio Quadros (não filiado à UDN). Teve o registro cassado, junto com os de todos outros partidos com o AI-2, que extinguia o pluripartidarismo e instituía o bipartidarismo.

Com o bipartidarismo, surgiram a ARENA - Aliança Renovadora Nacional - e o MDB - Movimento Democrático Brasileiro. Vocês já devem adivinhar pra onde a maioria dos udenistas foram, né? Exato.. pra ARENA, partido do governo. O MDB, que daria origem mais tarde ao PMDB, era o partido de oposição.

Em 1980, o pluripartidarismo foi legalizado novamente. A ARENA, então, foi rachada. Surgiu o PDS - Partido Democrática Social. Com a queda da ditadura, seria eleito um Presidente civil. Da oposição, surgiu o nome de Tancredo Neves. Dentro do PDS, Paulo Maluf foi o escolhido para concorrer. Os insatisfeitos com a indicação, criaram um ala dentro do partido chamada Frente Liberal.
Como a legislação ditatorial impunha que as agremiações políticas teriam que vir com o nome "partido" na frente, resolveram criar o PFL.

Em 2007, mudaram de nome, para Democratas, "sigla" DEM (não é mais obrigatório o "partido" na frente). Mas, como bem disse Mauro Santayana, "mudou-se o nome, mas não mudaram os nomes". Ou seja, aqueles que compuseram a ARENA são os mesmos que compõem hoje o DEM.
Os mesmos que dirigiam a ARENA e o PFL são os mesmos que dirigem o DEM.

Basicamente, eram dois grupos: o grupo de Jorge Bornhausen, Marco Maciel e César Maia e o grupo de Antônio Carlos Magalhães. Por todo o sempre, o grupo de Bornhausen dirigiu estes partidos. Tanto que, antes de morrer, ACM vinha tendo encontros com o Presidente Lula para mudar seu grupo político prum partido da base aliada.

O DEM, como o PFL, a ARENA e a UDN, são de extrema-direita, como pode se observar pela história. Defendem o Estado Mínimo: menos impostos, menos saúde pública, menos educação pública, menos empresas estatais, menos funcionários públicos, menos... E, num país em que as desigualdade sociais são escancaradas, onde a população precisa de mais Estado, esse partido está fadado ao insucesso.